Sérgio Free é natural do sul da Bahia, Sérgio viveu às margens do Rio de Contas até seus 5 anos, em um ambiente simples e humilde. Chegou em São Paulo em 1986 e conheceu um mundo de valores distintos daqueles impressos em sua personalidade. Esse conflito permeando a formação de sua personalidade lhe fez enxergar beleza no caos, em coisas que muitas vezes não faziam sentido para outras pessoas. Devido às suas vivências no sertão, Sérgio teve que enquadrar-se em determinados padrões para ser aceito pela sociedade.

Ainda criança, no bairro do Tucuruvi,na Zona Norte de são Paulo, onde foi criado, começou a perceber e valorizar a arte urbana, por meio das pichações que via nos muros, enquanto fazia pequenos trajetos pelo bairro. Sem conhecer o conceito de arte e inspirado nas pichações, começou a riscar paredes pela vizinhança com caneta hidrocor. Nessa época, ele não via graffiti pela cidade, apenas pichações e alguns grapixos (pichações contornadas).
Aos 8 anos, ajudou em um grapixo de uns pichadores do bairro, sua primeira oportunidade de aprender. Pintando o muro de branco para que os pichadores fizessem seu grapixo, só percebeu que aquilo que ele gostava e admirava não era bem visto por todos quando a polícia levou todos os rapazes. Desse dia em diante ele se imaginava no mundo durante a madrugada, riscando paredes e conhecendo a cidade, como as histórias que ele ouvia das gangues de pichadores, que se reuniam próximo à sua casa.

Esse início o tornou um apreciador de pichações, colecionador de folhas de pixo. Sabia quem eram as gangs pelo estilo de letras e as influências de umas gangs sobre outras, nas diversas regiões da cidade.

Nesse estudo observacional de prédios e paredes pichadas aprendeu a valorizar a arquitetura de São Paulo, sempre imaginando onde caberia uma pichação. Conhecia os muros, sabia dos pixos que foram apagados e dos que se apagaram com o passar do tempo.

Em 1996, entrou para a gang dos APACHES e seguiu representando suas influencias até o final da década de 90.

Usando a experiência e vivencia em campo que teve como pichador, Sérgio, resolveu se afastar e explorar outros ambientes e comunidades, pois os resultados na cena do pixo não estavam sendo dos melhores. Como se fosse uma equalização de positivo e negativo.

Formado em Biologia, com especialização em Ecologia de dinâmicas de comunidades, trabalhou na parte prática de experimentos científicos em florestas tropicais, mas sempre com aquela saudade, aquela vontade reprimida, e sem poder tocar no assunto do pixo com as “pessoas comuns”. Correlacionava seu estudo observacional no pixo com as teorias ecológicas de dinâmicas de comunidade, como nicho ecológico, competição, disputa por espaço e etc.

A partir de 2005, começou a trabalhar com arte, criando logotipos e negociando artes para estampas em uma marca que criou com uma turma de amigos skatistas, sendo o skate foi seu principal “esporte” em toda essa trajetória.

A vontade de riscar seu pixo já era nostálgica, então começou a fazer grapixo e assim iniciando os estudos das técnicas de pintura, preenchimento, contorno e recorte. Mesmo no grapixo existia certa discriminação pela sociedade, então criou um personagem para tentar expressar de forma mais clara o mesmo sentimento de quando riscava seu letreiro, colocando o personagem em situações do cotidiano e fantasiosas. Nesse ritmo foi avançando nas técnicas de pintura.

Hoje, Sergio Free pinta com spray, tinta acrílica e caneta hidrocor. Registra em telas suas lembranças, experiências e questiona o mundo atual com uma visão cientifica. Congela vivencias, reproduzindo a cena da cidade em cenários realistas, onde seu personagem ora representa ele mesmo, ora representa a sociedade.